Psicóloga Ana Carina Valente

 
     
 

 

Iniciativa Solidária - Covid 19

 

Apoio psicológico e suporte emocional pro bono 

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Quem sou eu

Apresentação

 

 

 

 

 

 

 

O meu nome é Ana Valente, desde que terminei a minha licenciatura (2005) tenho vindo a exercer diversas atividades enquanto psicóloga e tenho feito alguma investigação nesta área.

 

Comecei a minha carreira a trabalhar com crianças e jovens em risco; estive durante uns anos ligada ao ensino como docente (nas licenciaturas de Psicologia e Psicopedagogia Clínica e mestrado em Psicologia Forense e da Exclusão Social).

 

Desenvolvo atividades de intervenção psicológica e social com crianças, adolescentes e jovens adultos.

 

Sou formadora na área comportamental em empresas e organizações.

 

Intervenho ativamente e assumi responsabilidades em diversas associações e projetos na área psicossocial.

 

Sou Doutoranda em Psicologia da Saúde e Licenciada e Mestre (Pré-Bolonha) em Psicologia Criminal e do Comportamento Desviante.

 

Ao longo da minha experiência profissional, também exerci funções na área da formação profissional e emprego (IEFP) onde trabalhei na avaliação e validação de competências profissionais (Educação e Geriatria); Gestão e Coordenação de modalidades de formação para desempregados e jovens desempregados; Formação Transversal e Centro Qualifica.

 

Tenho formação especializada em diversas áreas da Psicologia, das quais destaco algumas das realizadas nos últimos dois anos - Certificado Europeu de Psicologia; Serviços de Psicologia em Unidades de Saúde; Literacia em Saúde - o papel do psicólogo; Acompanhamento e avaliação psicológicos; Intervenção em comportamentos de risco na adolescência e comportamentos aditivos.

 

 

 

Cédula Profissional Nº 9340 - Ordem dos Psicólogos Portugueses

Serviços de psicologia

  • Intervenção com crianças, adolescentes e família
  •  

     

  • Comportamentos de risco e aditivos (consumos): adolescentes e jovens adultos
  •  

     

  • Avaliação psicológica forense
  •  

     

  • Formação na área comportamental
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  • Consultoria
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    Conteúdos

    Uma Adolescência de Cortar os Pulsos

     

    Em tempos de Pandemia os nossos jovens, têm sido bastante afetados com estas “novas formas de viver e de nos relacionarmos uns com os outros. Os problemas de Saúde Mental têm-se agravado, nomeadamente, os comportamentos autolesivos que são cada vez mais frequentes e começam cada vez mais cedo.

    O que está a acontecer? Onde podemos estar a falhar enquanto sociedade, família, escola…?

    É sabido que a adolescência é uma importante fase do desenvolvimento, com muitas alterações acentuadas, por exemplo a nível físico e psicológico que podem resultar num desequilíbrio, descontrolo e até confusão, principalmente porque as alterações físicas não andam de “mãos-dadas” com as psicológicas e emocionais. Existe um desfasamento entre o que muda no corpo e a maturidade psicológica e, daqui, o início de uma caminhada de (auto)descoberta.

    Corpo novo, novas sensações e um misto de emoções que nem sempre sabem identificar. A adolescência é um tempo de experiências, de desafios e de escolhas. Todas as vivências contam na construção da identidade, da personalidade e na busca da sua independência e autonomia.

    O que pode correr mal?

    A Mafalda começou a cortar-se…

    A Luísa começou a arranhar-se…

    O Gonçalo…

    Em comum sentem/sentiram uma dor emocional para a qual não encontram outra solução senão apaziguá-la com dores físicas (mais ou menos) controláveis. É uma estratégia desajustada de regulação de emoções difíceis ou dolorosas.

    A automutilação é um comportamento de agressão intencional ao próprio corpo, como cortar- se, arranhar-se, queimar-se, arrancar cabelos, entre outros. E surge de forma, silenciosa e escondida, para lidar com uma dor emocional intensa, que é sentida como insuportável. Sim, insuportável. Nem sempre existe vontade ou intenção de provocar a morte, no entanto, em cerca de 40% dos casos de suicídio existem indícios de comportamentos autolesivos.

    Fiquemos atentos.

    Os comportamentos autolesivos depressa podem tornar-se uma prática repetida e podem aumentar de intensidade. O adolescente sente um alívio, mas passageiro e temporário. Estes comportamentos não apagam a dor emocional que teima em fazer-se sentir. Atenção aos sinais.

    Se está um calor insuportável e o seu filho, ou aluno, ou neto (...) teima em não tirar o casaco; se com frequência evita mudar de roupa nos balneários em frente de colegas ou junto dos pais e irmãos; se apresenta cicatrizes, cortes, queimaduras ou nódoas negras; se passa muito tempo na casa de banho ou se procura isolar-se dos amigos ou da família; se está constantemente triste ou apático; se manifesta alterações no sono ou no apetite. São sinais que não devemos ignorar.

    Não é fácil abordar este tema. Pais e educadores, perante este cenário sentem-se muitas vezes perdidos. Todavia, é necessário intervir. Procurar ajuda. É preciso consciência de que não há vontade de expor este comportamento. Seja por vergonha, por culpa ou por medo, o adolescente não se sente confortável para falar sobre o que se está a passar com ele e terá sempre uma desculpa para os arranhões, para as cicatrizes, para não gostar de ir à praia ou até para ter um afia desmontado dentro do estojo.

    Na prática da psicologia, temos encontrados alguns jovens que apresentam esta problemática e, que nos primeiros momentos, mostram que estão a tentar “combater o vício”. Instalaram uma APP que monitoriza as suas “conquistas e também as suas recaídas”, falam-nos destes comportamentos, como vício, como vou conseguir, como sou forte. Esta APP chama-se “I AM SOBER” e podemos escolher que comportamentos queremos “conter”. A lista é extensa e dos comportamentos apresentados um deles é a automutilação. E ao navegarmos um pouco, percebemos que se trata de uma comunidade - uma rede social - frequentada por adolescentes e pré-adolescentes onde se chora a dor. Onde se partilham dificuldades e se procura uma identificação e um (falso) aconchego: “não estou sozinho nisto, não sou único”. Esta aplicação pede que se façam promessas, se escreva o motivo para querer parar”. Conquistam-se marcos, de um dia, uma semana.... E recebem alertas, muitos alertas. O seu “miúdo” tem esta App instalada?

    Reflitamos em conjunto, sobre este mundo virtual. Temos uma série de miúdos a tenta superar as suas dificuldades uns com os outros. Imaginem que o nosso filho tem este problema, silencioso. Não foi detetado e a ajuda que procura (e que, aparentemente, recebe) é de uma aplicação no telemóvel e, do outro lado, está uma comunidade enorme de miúdos com os mesmos problemas. Sem supervisão. E não esqueçamos, vem aí mais uma notificação.

    O que fazer?

    Vivemos tempos complexos. Por um lado, temos uma sociedade exigente, solícita e competitiva. Por outro, Pais, Mães e Famílias afogadas em trabalho, meses de confinamento, sem tempo de verdadeira partilha e envolvimento. Tantas vezes com poucos encontros dentro da própria casa.

    A outro nível, temos o adulterado conceito de adolescência em que “eles não querem estar connosco” (dizia um Pai) ou “passa o dia fechado no quarto (…) é normal na idade dele”. Será? Isto de nos concentrarmos em ideias gastas de um “é normal, é da idade do armário”, pode ser baste perigoso e enganador.

    Será assim tão normal “deixar andar” e sermos simples espectadores que não queremos vestir a camisola de atores nesta que é uma peça do teatro da vida em crescimento.

    Importa abrir espaço para diálogo, promover um ambiente seguro para que o jovem sinta que pode confiar.

    Castigar, gritar ou ameaçar só vai piorar o cenário e fará com que se feche ainda mais num mundo de sofrimento solitário.

    Sim, é uma chamada de atenção! É UM PEDIDO DE AJUDA.

    Ouvimos muitas vezes desvalorizar dizendo “isso é só para chamar a atenção”. Sim. E se for? Fazemos de conta que não vemos? Fechamos os olhos? Não! Nada disto.

    Cabe-nos, enquanto educadores, enquanto comunidade, tudo fazer, para que os nossos jovens aumentem os seus níveis de bem-estar, facilitando o seu desenvolvimento (que se deseja positivo) e o seu crescimento. Ajudando-os a perceber esta experiência “do crescer,” como uma experiência mais positiva, mais saudável. Acompanhando-os.

     

    Que se reforcem, com urgência, os programas de Literacia Emocional. É necessário promover o desenvolvimento de competências emocionas, da capacidade em compreender, expressar e gerir as próprias emoções.

    Vamos então dar atenção. Dar verdadeira atenção, sem julgamentos. Usar da empatia para experimentar sentir uma dor que não se sabe explicar, tantas vezes sem “nome”. Mostrar alternativas e possíveis soluções. Pedir ajuda, juntos e em verdadeira equipa.

     

     

    As psicólogas,
    Ana Carina Valente e Olga Simões


    Publicado no Diário de Notícias a 27/7/2021

     

    Madalena

     

    Madalena (nome fictício), é uma jovem mulher que vive há muitos anos com medo.

     

    Vive sozinha, na cidade onde trabalha e “quando se sente bem” o irmão vem buscá-la para ir visitar a família ao fim-de-semana. É uma viagem de duas horas e nem sempre tem conseguido fazê-la.

     

     Faz algum tempo que não consegue conduzir, ou andar de transportes públicos, ou ir a um restaurante, ou ir a uma festa, ou ir ao cinema, ou ir ao escritório. “Só de pensar nisso até me dói o peito”.

     

    Sussurrou-me que quando começou a Pandemia, ficou feliz.

     

    A possibilidade de trabalhar a partir de casa, não ter que encontrar justificações novas todos os dias para não sair, confortou-a. Por um tempo. Dizia “Não posso, não quero nada apanhar este vírus”.

     

    Afinal, é mesmo em casa que se sente mais segura. Mesmo sabendo que a maioria dos seus ataques de pânico ocorrem em casa, refere “ao menos não faço aquelas figuras ao pé de outras pessoas”.

     

    Acredita que as pessoas não compreendem bem o seu problema “o meu ex-namorado, pensava que eu passava a vida doente e que não queria fazer nada, no fundo devia achar-me uma chata, a minha tia diz-me que me preocupo demais com tudo e todos, na sua opinião, tenho é que ganhar juízo, sair e divertir-me”.

     

    Madalena, tem ataques de pânico desde os 16 anos. No último ano tem experienciado ataques de pânico com mais frequência, registando crises quase todos os dias e episódios noturnos semanalmente.

     

    Estas situações “são vividas” com temor, angústia, com medo intenso, acompanhados por sintomas físicos e cognitivos característicos em função do seu início, que é inesperado ou súbito e pela sua curta duração.

     

    “De repente começo a sentir palpitações e um aperto no peito, penso logo lá vai acontecer outra vez e, depois é um horror. Sinto-me mesmo mal. Estas coisas aparecem “do nada”, começo a transpirar, as minhas mãos até pingam, não consigo respirar, dor de cabeça, tonturas, náuseas e vómitos, nem me reconheço, parece que vou perder o controlo sobre mim, sobre tudo.”

     

    Para Madalena, este surgir repentino deste medo intenso e do desconforto causado, representam uma falta de controle total sobre si, sobre o seu corpo, sobre a sua vida “eu quando estou assim só penso que vou morrer e fico sempre a pensar quando vai acontecer outra vez e outra vez”. 

     

    Esta ansiedade antecipatória, “o medo de sentir medo”, ou o medo dos efeitos das crises de pânico, associada a típicas distorções cognitivas relaciona-se com a manutenção de níveis elevados de ansiedade entre as crises.

     

    Madalena ao longo da sua vida, relata que começou a ficar muito insegura e que começou a evitar as situações e lugares onde tinha vivenciado uma crise de pânico, manteve estes comportamentos de evitamento e a persistente apreensão a respeito de situações que eram sentidas por si como geradoras de stress ou medo e que “naturalmente para si” despoletariam um novo ataque de pânico – associando-se neste caso, Agorafobia.  Em quadros graves de Agorafobia, encontramos grande limitação relacionada com a mobilidade e em alguns casos, as pessoas não saem de casa.

     

    Quando conheci a Madalena, contou-me que apesar de não sair de casa há meses, a periodicidade de ataques de pânico tinha aumentado, “fiz tudo que pude para parar com isto, nem de casa saio. Mas parece que ainda é pior. Estou com medo de enlouquecer. Preciso de ajuda.”

     

    A Madalena não sabia que um estado de permanente de vigilância promove a ansiedade antecipatória;
    A Madalena não sabia que o evitamento de determinadas situações vai perpetuar a ansiedade;
    A Madalena não sabia que ao limitar a exposição às situações temidas, reduzia a oportunidade de “não confirmação dos seus medos”;
    A Madalena não sabia que a perturbação do pânico é comum;
    A Madalena não sabia que o grupo das perturbações da ansiedade são os que apresentam maior prevalência em Portugal;
    A Madalena não sabia que 1 em cada 5 portugueses apresenta um problema de saúde mental;

     

    A Madalena não sabia que não estava sozinha.
    De facto, não está sozinho.

     

    A Madalena, agora sabe que o seu problema tem tratamento.
    A Madalena, sabe que hoje, dia 18 de junho é Dia Internacional do Pânico e vai assinalá-lo. Indo a uma esplanada com os seus amigos.

     

    A Madalena não sabia que podia viver sem medo. Agora sabe.

     

     

    Ana Carina Valente, Psicóloga

     

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    Ana Carina Valente (Cédula Profissional Nº 9340);


    Olga Simões (Cédula Profissional Nº 511)


    Natália Teixeira (Cédula Profissional Nº 15814)


    Sandra Anjos (Cédula Profissional Nº 19836)

     

     


    Com a SUPERVISÃO de:

     

    Joana Soveral Gonçalves (Cédula Profissional Nº 13511);

     

    Mais informações através do email geral@anavalentepsicologia.pt